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Mostrando postagens com o rótulo ENSAIOS

Meandros e Margens: um posicionamento ético

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   Meandra o mundo quando deveria saber impor margens, especialmente éticas. Impõe margens o mundo quando deveria saber navegar por meandros. É preciso respeitar os limites das necessárias margens éticas, sabendo, ao mesmo tempo, investigar os meandros por elas contidos. Esse exercício perceptivo e cognitivo nos ajuda a fugir tanto do relativismo quanto do absolutismo dominantes - duas formas de abrir a guarda para descalabros éticos.  

Compaixão e senso de justiça para além do Orelha

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  Compaixão e senso de justiça para além do Orelha   Se está horrorizado(a) e revoltado(a) com o caso do cão Orelha, isso quer dizer que você ainda possui alguma compaixão e senso de justiça, e entende que seres sencientes (que possuem sensibilidade e consciência) não podem ser tratados de formas que os façam sofrer. Sendo assim, por que seguir ignorando a escravidão, a tortura e o assassinato de cerca de cem bilhões de animais terrestres e mais de um trilhão de animais aquáticos todos os anos para suprir o desejo humano pelo gosto de seus corpos? Essa reflexão deveria parar por aqui, dado que não deveríamos nos dar o direito de tomar posse de seres sencientes, escravizá-los e matá-los. Mas se essa reflexão não te atinge, e você crê que há uma diferença substancial entre o caso do Orelha - que nunca seja esquecido e que o pagamento por seu sofrimento seja cobrado! - e os animais que se tornam comida, incomodando-se apenas com este caso específico dado o grau da tortura...

Moralidade: entre a razão e a sensibilidade

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Moralidade: entre a razão e a sensibilidade Códigos morais entregues prontos, inquestionáveis, por corpos de ideias quase monolíticos, como religiões, ideologias políticas ou tradições culturais, usualmente carregam, ainda que junto com moralidades dignas e sábias, uma série de visões imorais que são moralmente aceitas pela sociedade, dado que constituem o código moral de tais corpos de ideias - o que podemos chamar de “simulacros éticos” ( leia mais sobre esse assunto aqui ). Dada tal realidade, o presente ensaio parte da hipótese de que a razão poderia nos munir com a capacidade de navegarmos pelos meandros das nuances e nos ajudar a não encalharmos nas fronteiras das polarizações obtusas, ou seja, que a razão poderia servir como guia para a reflexão ética (leia mais aqui) , de forma que não caiamos nem no absolutismo moral de costumes tradicionais, religiosos ou ideológicos irrefletidos (e, portanto, relativo às tradições, religiões e ideologias seguidas, ou seja, absolutismos rel...

Nota sobre o antropocentrismo ambientalista

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Em artigo  da Associated Press publicado pelo site de notícias G1 em 07/11/2025 [1] , lê-se como título: “ Mineração em alto-mar pode colapsar cadeia alimentar dos oceanos, alerta estudo ”. O título, portanto, traz um alerta, uma denúncia: a mineração em alto-mar pode matar os seres vivos marinhos. De fato, uma tragédia - mais uma no menu de tragédias propiciado pela humanidade. Seu subtítulo complementa a informação, esmiuçando-a: “ Pesquisa publicada na Nature Communications mostra que resíduos liberados durante a extração de minérios nas profundezas do mar podem afetar o plâncton e, em cascata, a pesca mundial ”. De acordo com a lógica do texto, exposta em seu subtítulo, qual é, então, o cume do problema? Qual é o problema de estarmos matando os seres vivos dos oceanos por via da mineração? Não poder matá-los no futuro por via da pesca. Óbvio! Faz todo o sentido: o maior problema de matar agora é que não poderemos matar depois! E o modo de matar, isso muda tudo, não é? Matar pel...

Aprimoramento ético: a razão basta? O caso do veganismo

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   Aprimoramento ético: a razão basta? O caso do veganismo Rumino em vão O reinado do absurdo Trança a razão Acredito que a melhor forma de se criar balizas éticas coerentes é pelo exercício da razão, buscando-se as melhores maneiras para que geremos a mínima imposição possível de sofrimento e aliviemos o máximo possível de sofrimento desnecessário ou injustificável. Esse esforço criou, por exemplo, argumentos de enorme coerência e validade para justificar a necessidade ética do veganismo no mundo contemporâneo. Esses argumentos têm sido compartilhados (com diferentes graus de qualidade) por filósofos, educadores veganos e ativistas nas últimas décadas. Contudo, mesmo que consideremos apenas aqueles divulgadores do veganismo que expõem seus princípios de forma lógica e didática (não considerando os diversos péssimos divulgadores que já representaram o veganismo nos debates públicos), seus resultados sempre foram absolutamente menores do que o desejado. É comum que após uma apr...

Opção vegana?

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Uma das ideias popularizadas nos últimos anos, como consequência dos esforços do ativismo vegano (e a percepção das empresas de que veganos podem ser um nicho de mercado a ser explorado), é a da existência de “opções veganas”, seja em cardápios de restaurantes, seja dentre os produtos de uma marca. Com isso, normalizou-se a ideia de que ser vegano seria apenas uma opção individual, tal como escolher comer macarrão ou lasanha. Em suma, passado o período em que o veganismo foi um movimento de oposição enérgica ao absurdo moral do carnismo contemporâneo, a sociedade parece ter abraçado a “opção vegana” como mais uma das possibilidades atuais de manifestação dos gostos e identidades individuais. (Para ser mais acurado, o próprio termo "vegano(a)", fortemente ligado a uma postura ética, parece ter sido apagado e diluído no estranho termo "plant-based" - uma traquinagem de marketing). Comer ou não comer animais se tornou, então, apenas uma questão de gosto, de escolha.  M...

Fogos de artifício: ética e desesperança

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É amplamente conhecido o fato de que fogos de artifício, especialmente aqueles com barulho (estampidos) causam imenso sofrimento aos animais. O alto som, repentino, desencadeia reações como pânico, dor, tentativa desesperada de fuga, ansiedade, convulsão, desmaio, choque contra objetos e morte por diversas causas em grande variedade de espécies domesticadas e silvestres. Em humanos, diversos sofrimentos podem ser gerados, especialmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com sensibilidade ao barulho, degeneração cognitiva, autismo, epilepsia, entre outras condições.  Isso sem falar em incêndios e outros acidentes. Uma pesquisa recente, realizada pelas entidades Sebrae e Instituto Euvaldo Lodi (IEL) [1] , revelou que 62,4% dos entrevistados estão cientes dos incômodos gerados pelos fogos de artifício para animais e pessoas (sendo que 36% inclusive conhecem pessoas com autismo ou outra condição de saúde que são afetadas pelo barulho de tal estranha forma de diversão). Apesar...

Ensino de Geografia no Contexto das “Ciências da Natureza”: em busca de uma Educação Cosmológica Eticocêntrica

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ENSINO DE GEOGRAFIA NO CONTEXTO DAS “CIÊNCIAS DA NATUREZA”: EM BUSCA DE UMA EDUCAÇÃO COSMOLÓGICA ETICOCÊNTRICA Revisão de artigo escrito no final de 2023 e publicado no livro "Revisitando a teoria e prática a partir da formação de professores: programas PIBID e PRP" 1 Introdução O presente ensaio parte da análise de questões ligadas aos limites do “eu”, abordando, então, relações indignas envolvendo tal “eu”, a alteridade e a totalidade - a “natureza” -, permitindo iniciar, assim, uma reflexão sobre certa crise ecológica em vigor. Em seguida, o texto apresenta uma sequência didática que aproxima o ensino de Geografia de conteúdos normalmente associados às “Ciências da Natureza” e fomenta uma série de reflexões de ordem ética. Tal sequência é planejada para que estudantes do Ensino Fundamental aprimorem a compreensão que possuem sobre seus próprios lugares no mundo, caminhando no sentido oposto do presente nas problemáticas anteriormente descritas. Por fim, apresenta-se a idei...