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Gestão de riscos (conto)

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Gestão de riscos Jazia ali, sobre a mesa, agora inerte, o corpo do Aedes. Movimento impensado, mas não por afobamento ou descuido: há automatismos que independem, ontologicamente, de julgamentos, como piscar os olhos ou arrumar o corpo em uma cadeira. Certos episódios coagem almas contemplativas à interação. Nesse caso, indagou ela ao agente sanitizante: -        Por que o matou? -        Dengue. -        Mata-se quem transmite doenças? -        Sim. -        Hum… e se você me passar gripe? -        Não sou inseto. -        Sei… Mas são todos transmissores? -        Alguns. -        E por que matou este? -        Pode transmitir. -      ...

O trem de Auschwitz (2020)

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O trem saiu de Auschwitz. Acabara. Seu uso findou-se. Tornar-se-ia inútil, a enferrujar pelas décadas, infame, esquecido em algum terreno obscuro. A inutilidade, porém, essa sim, é um crime. Lesa-humanidade. O produtivo trem não poderia aceitar. Em pouco tempo, voltaria à ativa. Passara hoje, em estreia, a porteira do matadouro. Missão dada, missão cumprida!