Compaixão e senso de justiça para além do Orelha

 



Compaixão e senso de justiça para além do Orelha

 Se está horrorizado(a) e revoltado(a) com o caso do cão Orelha, isso quer dizer que você ainda possui alguma compaixão e senso de justiça, e entende que seres sencientes (que possuem sensibilidade e consciência) não podem ser tratados de formas que os façam sofrer.

Sendo assim, por que seguir ignorando a escravidão, a tortura e o assassinato de cerca de cem bilhões de animais terrestres e mais de um trilhão de animais aquáticos todos os anos para suprir o desejo humano pelo gosto de seus corpos?

Essa reflexão deveria parar por aqui, dado que não deveríamos nos dar o direito de tomar posse de seres sencientes, escravizá-los e matá-los.

Mas se essa reflexão não te atinge, e você crê que há uma diferença substancial entre o caso do Orelha - que nunca seja esquecido e que o pagamento por seu sofrimento seja cobrado! - e os animais que se tornam comida, incomodando-se apenas com este caso específico dado o grau da tortura à qual esse ser pacífico e indefeso foi submetido, talvez valha pesquisar sobre o que se passa por trás de tuas refeições cotidianas.

Citarei apenas alguns exemplos:

  • Confinamento extremo (restrição de movimento em gaiolas de gestação de porcas; gaiolas minúsculas em bateria de galinhas poedeiras; baias minúsculas para fazer carne de bezerros (vitela)).
  • Mutilações e outros procedimentos, muitas vezes sem anestesia ou com analgesia mínima (castração de bovinos, suínos e ovinos; descornamento (remoção de chifres); debicagem (corte/queima do bico de aves); corte de cauda em suínos e ovinos).
  • Marcas feitas com fogo/ferro quente.
  • Seleção genética para produtividade extrema (frangos que crescem tão rápido que ossos e órgãos não acompanham; vacas leiteiras hiperprodutivas, que produzem muito além do natural, sofrendo com alto índice de mastite, dores articulares e musculares e exaustão).
  • Separação precoce de mães e filhotes (bezerros separados poucas horas ou dias após o nascimento na indústria do leite, o que causa grande sofrimento, percebido em vocalizações, choro, busca incessante e sinais de estresse.
  • Descarte de pintinhos machos na produção de ovos, que são triturados ou asfixiados.
  • Reprodução forçada por inseminação artificial, por exemplo de vacas e porcas, o que envolve contenção física e penetração forçada do braço de pessoas, transformando fêmeas/mães em máquinas reprodutivas.
  • Transporte, muitas vezes por horas ou dias, sem água adequada, ventilação ou descanso, em caminhões superlotados, onde ocorrem machucados, fraturas, desidratação e morte.
  • Sofrimento psicológico, dado que vivem em ambientes feitos apenas pensando em produtividade, nos quais não podem socializar e possuir os hábitos comuns de suas espécies.
  • Sofrimento com doenças, dado que os ambientes de criação favorecem, por exemplo, infecções crônicas, parasitoses e lesões por amônia (nos olhos e pulmões de aves).
  • E, claro, o próprio assassinato - o objetivo de toda a barbárie prévia -, que, por si mesmo, traz uma série de sofrimentos psicológicos e físicos, como no caso da terrível morte por asfixia de peixes e a morte por hemorragia com o ser ainda consciente, algo ainda muito comum, por exemplo, para bois e porcos.

Em suma, se o caso do Orelha te incomodou, e quer ser coerente com esse teu senso ético, ou seja, não quer colaborar com a tortura de uma quantidade absurda de animais que sentem dor física e emocional tanto quanto um cachorro, não há muito o que rodear: torne-se vegano(a).


Comentários