(2011) O que é um rio?


O que é um rio?
O que é esta unidade, este “eu”, este objeto definido a que chamamos de rio tal ou rio tal?
Melhor: há este eu, esta unidade?
– Mas Dennis, este é um site sobre direitos dos animais, pare de viajar!
– Ok… Mas… O que é um rio?
Direitos dos animais… Inestimável salto perceptivo: respeito a cada animal, não apenas às espécies.
E novamente minha tentativa de mostrar os limites dos limites.
Direitos dos animais, direitos dos rios…
Como em textos anteriores aqui, nesta amável Agência, parto da diferenciação comum entre direitos dos animais – indivíduos – e ambientes – coletivos, do discurso comum de que direitos dos animais diferenciam-se de questões ambientais.
O que é um rio?
Aprendi com os budistas – três vivas para os velhos budistas libertários – sobre a ilusão de um “eu” perene, fixo, essencial. Aquilo que chamamos de nosso eu – mas que raios é esse tal de Dennis? – é uma construção mental, uma eternização de elementos impermanentes, contextuais: memórias, pensamentos, projeções, humores, ambientes…
E o rio? Há um rio?
Não é uma ilusão um rio em si?
Não é um rio apenas um nome para a interdependência– ah, novamente os velhos budistas… – entre tudo o que o forma a cada momento? Nunca tomamos banho no mesmo rio duas vezes… Quem nunca ouviu a máxima heraclitiana?
Não é o rio os peixes, águas, girinos, todos os tipos de animais, vegetais, fungos, bactérias, minerais e tudo o mais?
Não é o peixe o seu alimento, sua casa, seus hábitos? Não são os elementos químicos que formam o peixe os elementos antes pertencentes a outros seres, a água, ao solo?
O corpo do morto peixe não será o corpo de novos seres? Não comporá a água? Não comporá o solo?
Há um rio com peixe que não é peixe?
Há um peixe de rio que não é rio?
Indivíduo: palavra.

E o que é veganismo?
E o que são direitos animais?

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