terça-feira, 28 de julho de 2015

01 - Veganismo como postura de respeito aos animais


         Veganismo é o nome dado ao conjunto de pensamentos e práticas cuja finalidade é a tentativa de ter com os animais não-humanos uma relação eticamente aceitável. Em resumo, trata-se de abster-se de utilizar qualquer produto advindo da exploração de animais, ou seja, que os trate como nossas propriedades, como objetos, como matérias-primas. Isso inclui alimentação (carnes, ovos, leite, mel...), vestuário (lã, seda, peles...), entretenimento (rodeios, zoológicos, cavalhadas...), produtos testados em animais ou que usem partes de animais em sua composição etc.
Esta decisão, aderir ao veganismo, alterando muitos de nossos hábitos cotidianos, parte do princípio de que nós,  humanos, não temos o direito de tratar os demais animais do planeta como objetos, como coisas existentes para a satisfação de nossos prazeres e necessidades.
Esta conclusão comumente deriva do fato de que animais são seres  sencientes, ou seja, são capazes de sentir e ter consciência sobre esta sensibilidade, mesmo que tipos diferentes de consciência daquelas comuns aos humanos. (Não é preciso que a consciência dos animais seja do mesmo tipo que a dos humanos - que, por exemplo, procurem interpretações abstratas sobre o porquê das coisas que percebem - para que tenham seus interesses mais fundamentais, como não serem presos, agredidos ou assassinados, respeitados).
Tal como nós, animais buscam o conforto, a segurança, o poder realizar aquilo que é próprio de sua espécie, e se incomodam com a dor, com o perigo e com o cárcere. Animais, em suma, são capazes de sofrer e possuem o direito de ter suas vidas para seus próprios interesses.
Quanto ao sofrimento, por que nossa ética convencional vê com tanta diferença o incômodo que a dor gera quando em humanos ou em animais não-humanos? Por que vê-se com tamanha normalidade tantas coisas feitas aos animais que seriam julgadas como absurdas se feitas com humanos?
Se animais são sencientes e possuem o direito de viver suas próprias vidas em liberdade, o nome correto a dar-se para a condição de vida de grande parte dos animais com os quais a humanidade possui relação mais direta é “escravidão”. Trata-se de confinar seres que deveriam ser livres e obrigá-los a passar a vida servindo aos interesses de outros seres. Não há porque, pelo que já se sabe sobre consciência e comportamento dos animais, evitar usar este termo. Trata-se, assim, de uma escravidão ainda legalizada, que envolve muito mais seres vivos do que todas as escravidões de humanos envolveu[1] e que necessita, e é este o ponto da história em que vivemos, de um movimento abolicionista, de alterações profundas em nossas culturas que mudem o modo como os animais são vistos e tratados pela humanidade.
É urgente, assim, romper com o nefasto de padrão de pensamentos e práticas em que os animais não-humanos são inferiores aos humanos, tradição milenar que encontrou guarida, por exemplo, em filosofias que consideram a razão, aos moldes humanos, como o parâmetro para o merecimento ou não de respeito, assim como em cosmologias que consideram que o mundo fora criado para os seres humanos, para suas próprias necessidades e interesses.



[1]
                        [1] Apenas para consumo de carnes e apenas de animais terrestres (isto significa que este número em realidade é bem maior, já que a utilização de animais marinhos é altíssima e, em alguns locais, majoritária), a humanidade abate 67 bilhões de seres por ano (Food and Agriculture Organization of the United Nations, 2010). No Brasil, são mortos para alimentação um boi, um porco e 166 frangos por segundo (IBGE, 2013). Se considerarmos, além dos seres aquáticos, todos os que são utilizados para outras funções, tanto alimentares (leite e ovos, por exemplo), quanto para os demais setores econômicos, estes números assustadores crescem ainda mais.

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